segunda-feira, 1 de junho de 2009

O coletor de histórias

No seu jeito dissimulado, acho que querendo esconder, mas sem conseguir, uma grandiosa timidez, Reginaldo Benedito Dias chega trazendo o seu novo livro “Da arte de votar e ser votado”.

Sempre preparado para todas as discussões possíveis, mantendo o nível, o tom pausado, mas com a verve proporcional à crença no que diz, fruto da confiança adquirida pelo que ouviu, viu e pesquisou, Reginaldo Benedito Dias chega para, novamente, distribuir casos e causos.

Ele chega sempre sem muito alarde. As portas vão se abrindo naturalmente. Como existe a figura do “espalha roda”, existe gente como este professor-doutor-escritor que agrupa, soma, junta rodas dos mais variados matizes.

Reginaldo desperta nas pessoas a necessidade de falar, de debater intrincadas questões políticas e históricas ou prosaicos acontecimentos do dia-a-dia. Entre os alunos, os companheiros de partido, os colegas de outras siglas e os amigos de uma roda de bar, esse professor está sempre pronto para comentar o que vier a ser o tema.

Então, entram neste desfile o desempenho do Fenômeno no Corinthians, as conquistas e derrocadas petistas, o cotidiano da cidade, músicas, filmes, livros, as piadas oras sutis ora sem a mínima graça. E volta e meia inserindo comentários sobre sua maior riqueza: a filhinha.

Um escritor acima das ideologias, que sabe a importância de destinar o devido valor na história a quem merece, independente do posicionamento político ou partidário. Foi assim que Reginaldo Benedito Dias conquistou a credibilidade nas publicações.

Dias chega com seu livro sobre a política de Maringá para marcar mais um ponto na história da cidade. Ele é o escrevinhador do eterno resgate, o que vive a buscar acontecimentos, tirando-os de tantas memórias para juntá-las numa publicação. Focando os mais variados episódios que construíram e constroem a vida política da Cidade Canção, ele joga luz sobre as personalidades com a devida participação de cada um no processo histórico.

Ao mesmo tempo em que clareia estes caminhos de mais de 60 anos, possibilitando que os jovens saibam como ocorreu a formação do Município, faz com que os maringaenses de décadas aflorem suas lembranças, exercitem suas saudades e se sintam, de alguma forma, partícipes desta construção.

Ao juntá-las numa obra séria, organizada e criativa, Reginaldo pereniza as ocorrências e homenageia seus autores. Pela paixão à cidade e pelo prazer em pesquisar, o trabalho deste coletor de histórias não tem fim. A cidade vai fazendo história e ele vive a persegui-la com seu olhar.

(Antonio Roberto de Paula - Texto publicado no jornal O Diário do Norte do Paraná, dia 31 de maio de 2009)

2 comentários:

Carol disse...

Nossaaaaaa De Paula, que lindo que você escreveu...

Anônimo disse...

concordo!! e o autor do livro faz por merecer!
Rosana