quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Gente da imprensa - Marcos Zanatta


Nome completo:
Marcos Aurélio Zanatta

Data nascimento:
04/04/58, em Rolândia

Onde trabalha?
Meta Propaganda

E-mail:
zanatta@metapropaganda.com.br

Quando você começou a trabalhar na imprensa e como foi o início?
Comecei logo após me formar na UEL, em 1986. A Folha de Londrina precisava de um ‘redator comercial’ para cobrir a campanha do Álvaro Dias para o governo do Estado. Acho que por falta de opção fui escolhido, e foi uma escola. Acompanhava o Álvaro durante o dia todo, e de noite ia para a redação fazer uma matéria para cada cidade onde o cara passava. Como o discurso era quase sempre o mesmo, tinha que queimar os neurônios para fazer quatro e até cinco matérias diferentes. Mas foi muito legal. Depois da campanha, me mandaram para a redação, onde passei pelas editorias local, regional e por último na Folha Rural, onde também aprendi muito.

O que você já fez na vida além de trabalhar na imprensa?
Quando era criança meu pai tinha um bar em Rolândia. Eu e meu irmão, antes de irmos para a escola (pela manhã), abastecíamos os refrigeradores e levávamos as garrafas vazias para o depósito. Mas isso era apenas pra gente aprender o que é trabalhar. Mas já trabalhei em lotérica, fui feirante, auxiliar de almoxarife, digitador, operador de computador e bancário, além de outros bicos.

Em quais veículos de comunicação você já trabalhou?
Saí da Folha de Londrina para a assessoria de imprensa da Cocamar, depois O Diário, voltei para a Folha na Sucursal de Maringá, depois O Diário novamente, jornal Hoje e agora estou na Meta Propaganda.

Quais as suas reportagens mais marcantes?
Sempre com crianças, que não merecem o mundo que estamos deixando para elas. Produzi uma reportagem sobre a Pastoral da Criança e a multimistura salvando crianças em Florestópolis, uma cidade que na época tinha 80% da população formada por bóias frias. Na época poucas pessoas sabiam o que era a multimistura e a Pastoral da Criança ainda engatinhava. Outra foi a morte de crianças com até seis meses de vida em Paiçandu. Ninguém passava informação, aí começamos a matéria pelo cemitério, ouvindo os coveiros e as famílias que iam visitar os túmulos. Com as informações em mãos, o poder público teve que se justificar. Nesta matéria o Burzega fotografou uma cruz com uma chupeta pendurada, e as pessoas falavam que a gente tinha comprado a chupeta e produzido a foto, mas na verdade não teve nada disso. Outra foi a morte de três crianças em um acidente entre Maringá e o trecho de Iguaraçu. Quando chegamos no local, vimos um carro partido ao meio, três corpos – inclusive de um bebê – cobertos na beira do asfalto e um monte de brinquedos espalhados na pista. Outra que me marcou foi a morte de Fabíola Coalho, que acompanhei de perto como secretário de redação do Diário e cheguei a fazer alguns textos. Em todas estas matérias eu chorei.

Quais as maiores alegrias atuando na imprensa?
Conhecer muitas pessoas, especialmente as que são jornalistas ou profissionais de verdade de qualquer área e que sabem ser humildes.

Quais as decepções?
Tanta gente competente fora das redações.

Quais os planos?
Um dia voltar para uma redação.

Já pensou em fazer outra coisa na vida? O que te atrai?
Quando você passa por certos sufocos, pensa de tudo. Mas gostaria mesmo é ser repórter e ter liberdade para fazer as matérias que a gente sempre sonha. Pauta é o que não falta.

Quem você admira na imprensa?
Todos os amigos que fiz nas redações onde trabalhei e como disse o Bulgarelli, os que não querem aparecer mais que o entrevistado.

Mensagem:
Jornalismo é caráter, o resto é datilografia – ou atualizando, o resto é digitação.

2 comentários:

Thaís Pismel disse...

Grande Zanatta!
Exemplo entre os profissionais da imprensa.
Parabéns pelo trabalho!

Anônimo disse...

Sou fã desse cara. Excelente jornalista e chefe de Redação.

Roberto Silva