quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Gente da imprensa - Paulo Pupim


Nome completo:
Paulo César Pupim

Data nascimento:
21 de março de 1965

Onde trabalha?
Assessoria de Comunicação Social da UEM e do Hospital Universitário de Maringá


Quando você começou a trabalhar na imprensa e como foi o início?
Comecei em 1986, no O Diário do Norte do Paraná. À época, o clima de redação era muito diferente do de hoje. Não existiam computadores, só máquinas de escrever. Imagine o barulho dos teclados e todo mundo conversando, falando ao telefone? E não é que o texto saía? Todos os repórteres tinham a incumbência de preparar uma reportagem especial para o fim de semana. A minha alegria era pegar o jornal no domingo e ler o meu texto. Parecia criança se lambuzando com sorvete de palito sob o sol estridente.

O que você já fez na vida além de trabalhar na imprensa?
Fui servente de pedreiro e trabalhei, embora pouco, em lavouras de café, principalmente.

Em quais veículos de comunicação você já trabalhou?
Londrina: Rádio Londrina
Ibiporã: numa rádio cujo nome não me recordo
Maringá: jornal O Diário, O Jornal (atual Jornal do Povo), TV Cultura, jornal O Estado do Paraná (por algumas semanas), TV Tibagi, TV Independência (antiga Rede Manchete), Prefeitura Municipal e Ibama

Quais as suas reportagens mais marcantes?
Uma entrevista com Luiz Carlos Prestes, na qual ele recordou alguns detalhes da Intentona Comunista; uma entrevista com Paulo Freire, em que ele falou com entusiasmo sobre a Pedagogia do Oprimido; uma matéria sobre a presença de catadores no lixão de Maringá, que, por alguns dias, fez com que não saíssem de minha mente cenas de pessoas procurando restos de alimento para comer; uma matéria sobre a comemoração de Antonio Belinatti ao saber que havia sido eleito mais uma vez prefeito de Londrina, em 1989 (era por volta das 22 horas quando ele foi recebido literalmente nos braços do povo, na região dos Cinco Conjuntos. Ali eu vi o quanto o homem era adorado pela população); e uma série de matérias sobre o caso Paolicchi e Jairo Gianoto (uma das manchetes do O Diário, onde eu trabalhava na ocasião, trazendo quase que na íntegra o depoimento, a portas fechadas, do ex-secretário de Fazenda à Justiça Federal, levou a Polícia Federal a abrir inquérito contra eu e o jornalista Antonio Carlos Moretti/O Estado do Paraná. Felizmente o inquérito foi arquivado, pois estávamos resguardados pelo sigilo da fonte). Com certeza, estou esquecendo de outras reportagens, mas estas seguramente foram algumas das mais marcantes.

Quais as maiores alegrias atuando na imprensa?
A de estar em contato direto com as pessoas, que sempre têm algo de bom a nos ensinar, por mais humildes que sejam. Outra alegria foi a de ter feito amizades com colegas de profissão de várias cidades e Estados brasileiros, principalmente nas visitas de candidatos a presidente da República.

Quais as decepções?
Muitas. Algumas delas: constrangimento diante de uma ex-prefeita da região, que puxou o talão de cheques da bolsa e perguntou quanto deveria pagar pela entrevista que ela iria gravar; sentimento de impotência de não poder mudar o mundo, ao ver as pessoas procurando comida em meio ao lixo; e sentimento de desprezo, ao ver muitos colegas de profissão se sentirem os enviados de Deus à Terra, tamanha a falta de humildade.

Quais os planos?
De imediato, colaborar na implementação da estrutura de Assessoria de Imprensa no Hospital Universitário; depois, terminar o curso de mestrado em Letras na UEM. Futuramente, poder, de forma mais freqüente, trocar as experiências de vida e de profissão com outras pessoas, inclusive estudantes de Jornalismo. Como fiz o curso de jornalismo na universidade pública (UEL), quero sempre retribuir à sociedade aquilo que ela pagou, em impostos, para que eu estudasse.

Já pensou em fazer outra coisa na vida?
Antes de estudar jornalismo tentei duas vezes o vestibular de Medicina, sem sucesso. Mas, não me arrependo da atual profissão, pois ela me ensinou muito como profissional e ser humano.

Quem você admira na imprensa?
Cláudio Abramo, pela revolução editorial que comandou no jornalismo brasileiro, sobretudo na Folha de São Paulo; Hélio Fernandes, pelo que representou, com seu jornal Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), na luta de resistência contra a ditadura militar, pela visão de mundo que tem, pela defesa dos interesses nacionalistas, que faz por meio de sua coluna on line, e pelo humanista que é e procurar transmitir isso aos seus leitores diariamente; Caco Barcellos, pela coragem que teve nas várias reportagens investigativas feitas para a Rede Globo (para o meu gosto hoje ele está muito light) e pelo livro “Rota 66 – a história da polícia que mata”, que provocou o exílio dele na Europa e que até hoje lhe rende perseguições; Jânio de Freitas, pela lucidez e o senso crítico em sua coluna na Folha de São Paulo (sem contar a elegância do texto); Joel Silveira, pela paixão em ser repórter até o fim da vida (morreu com quase 90 anos); Aloísio Biondi, pela incansável batalha no jornalismo econômico contra o neoliberalismo e a tentativa de desmonte da economia brasileira; e Juca Kfouri, por fazer a gente enxergar o futebol também como instrumento de dominação política de um povo.

5 comentários:

Carol Rocha disse...

Nosssaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Que amor...
Estou com saudades do Pupim. Quanto tempo meu amigo. Não vou mais na Assessoria neh? Puts!! Estou em falta com você. Tenho que visitar você, tomar um cafézinho e prozear um pouco... (Claro que não pode ser quando o Jornal da UEM esteja sendo fechado. Senão vou te apertar novamente...Hahahaha)
Muito legal a entrevista viu. Amei!!! Muito bom conhecer a vida, pelo menos um pouquinho, destes grandes jornalistas da imprensa de Maringá.
Puts. Eu sou a unica que comento. Vamos comentar ai gente..
Beijos aos dois..

Carol Rocha disse...

Outra coisa.. Nossa Pupim, vc começou a trabalhar no Diário no mesmo ano que eu nasci..Hahahahahahahahahahahhaahaha

Bulga disse...

Carol,
Acho que esse seu comentário do ano de nascimento deveria ser repensado. Você deveria ter respeitado os cabelos brancos do Pupa.

Takeo Itakura disse...

E aí Pupim, quando li a entrevista que o De Paula fez contigo, putz, me veio a cabeça, de como era bom os tempos de máquina de datilografia, dos tempos de laboratório fotográfico, em que acabavamos de voltar de uma reportagem e rapidinho tínhamos que revelar as fotos, e a gente naquela ansiedade de ver os resultados das fotos, faz muito tempo que não exerço a profissão,mas acho que antigamente era muito mais gostoso, emocionante! Bom, Pupim foi muito legal, mesmo que por foto ter visto você novamente, acesse o meu blog de vez em quando para me prestigiar um pouquinho http://takeoitakura.blog-br.com , e mande lá um comentário , um grande e um forte abraços, do seu amigo que sempre lembrará dos seus!
Takeo Itakura

Coisas do coração disse...

Pupim, alem de termos cinco anos de diferença, eu sai de Maringá em 1980 e vim pra capital e você ficou vivendo as coisas dai, que te digo de antemão: em nada são diferentes dai. Por motivos diferentes acabei vivenciando e descobrindo uma situação que envolveu órgãos do governo, maracutaia, poder, pressão, direito, judiciário, "o talão de cheques as avessas" que você conta, e muitas outras coisas. Todos somos um pouco Caco Barcellos aquele que você cita "repórter investigativo", pelo menos no meu caso, só que não foi pra mídia, mas enfrentei FHC, Stephanes (pai), PF, Juiz Federal, etc etc etc...Hoje, só estou a procura de um amigo que foi fotógrafo da Folha do Norte do Paraná ou do Diário no Norte do Paraná, não me lembro direito. O César Augusto Fernandes de Freitas, conheceu? Se conheceu ou sabe onde encontra-lo, por favor, me coloque em contato com ele por favor. Grata, Cilla